A luz, as ruelas, a etiqueta ao fotografar moradores, e a hora exata para evitar multidões em cada enquadramento.
Chefchaouen é a pequena cidade mais fotografada de Marrocos. A medina está pintada em tons de azul — do cobalto ao céu suave e ao pó — com molduras brancas, iluminada pela luz do Rif que muda a cada meia hora. Quase cada beco oferece um enquadramento.
Mas Chefchaouen tem um problema que a maioria dos fotógrafos não antecipa: às 10h está cheia de autocarros turísticos. Os visitantes de um dia de Tânger e Fez chegam em massa. As famosas escadas da Calle Jemaa el-Kebir tornam-se impossíveis de fotografar.
A solução é o horário. Durma em Chefchaouen pelo menos uma noite. Levante-se às 6:30. Das 7 às 9 da manhã a medina pertence aos residentes — padeiros a carregar tabuleiros, mulheres a caminho do hammam, crianças a ir para a escola. A luz é suave, os azuis são os mais profundos, e pode compor sem desviar de turistas.
Final da tarde — digamos das 17h ao pôr-do-sol — também se esvazia quando os autocarros partem. Segunda grande janela do dia, com luz quente e lateral e gatos a atravessar as sombras. É quando fazemos retratos nas ruas.
Uma nota sobre fotografar residentes. Pedir não é negociável. "Mumkin sura?" (posso tirar uma foto?) em darija com um sorriso funciona quase sempre. Alguns recusarão — respeite. Uma pequena compra a um artesão abre frequentemente uma sessão de retrato. Não pague pelas fotos: transforma a relação em transação e obtém poses rígidas.
Locais específicos que valem o seu tempo: a escadaria junto à Plaza Uta el-Hammam (cedo de manhã, virada a norte); o muro azul atrás da kasbah (depois das 16h); a mesquita espanhola na colina (suba às 17h para o pôr-do-sol sobre a cidade azul); e o beco estreito junto à fonte Ras El Maa, onde as mulheres ainda lavam tapetes na corrente de manhã.